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Charlles Fala, in 7-7-2008 at 00:09:20    

Além do Jobs ser mais inovador do que o Gates, o tempo deu oportunidade para que uma outra grande empresa surgisse com modelo diferente do seguido pelos dois: o Google.
Basta ver o inédito acordo do Google com a Justiça brasileira. E que, numa forma simplista e comum de se analisar o mercado, seria tido como algo que a empresa deveria evitar a todo custo por não ter alternativas a não ser seguir os ditames esperados para o seu modelo de negócio (violar uma expectativa básica de seus clientes é abrir espaço para concorrentes que não têm a mesma obrigação de revelar os dados). A atitude do Google de permitir acesso a sua base de dados para investigações/suspeitas, e não apenas para casos de abuso fundamentados a partir de ordem judicial, pode muito bem afetar a sua imagem por contrariar uma das expectativas que se tem quanto à liberdade da Internet. O Google poderia ter insistido até as últimas conseqüências, alegando que a medida exigida afetaria os negócios da empresa, em vez de aceitar neste momento um acordo. A Microsoft há anos vem adotando práticas, no mínimo, questionáveis, mas que são defendidas por muitos como naturais e até imprescindíveis, já que o mercado supostamente necessita de proteções especiais quando certos interesses podem ser afetados. Quantas das decisões judiciais que livraram a Microsoft de penalidades se basearam nesse princípio?
O Google pode não ser o modelo ideal de empresa ou uma Microsoft imaculada. Mas, quando comparado a esta, parece ter um modelo de negócio mais flexível aos interesses da sociedade. Certas ações da Microsoft são exemplos perfeitos de medidas apenas restritas aos interesses dos diretamente envolvidos em detrimento de todo o restante da sociedade.
Cada passo na direção de novas alternativas viáveis irá derrubar a impressão de que o mercado é imutável no que se refere a certos princípios considerados intocáveis. A idéia de um mercado necessariamente merecedor de exceções “naturais” vai sendo minada quando vão existindo exemplos de empresas que não que precisam desse tipo de proteção para levar os seus negócios adiante. Espero que a comunidade do Software Livre seja cada vez mais bem-sucedida nas suas propostas. Então, num futuro não tão distante, a Microsoft será apenas um capítulo de uma história inicial já superada.
Lucas, parabéns pelo blog.
E sucesso na iniciativa!

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