Blog – Lucas Leão

Dicas

O Setor Público e a Sustentabilidade dos Projetos de TI

Tenho me dedicado, ao longo dos últimos anos, em consultoria de tecnologia da informação voltada aos Municípios e observo de perto que a realidade econômica deles tem se deteriorado devido ao excesso de obrigações por parte da legislação vigente. Cada vez mais obrigações e recursos cada vez mais escassos, uma matemática que reflete a qualidade ruim dos serviços públicos municipais.

O leitor pode estar pensando agora: “Ahhh tahhh, mas se houvesse menos desvios de verba pública tudo seria possível….”. Afirmo que provavelmente não!  Pois na maioria das vezes ainda não seria suficiente e terminaria resultando, na mesma coisa, ou seja, ineficácia.

Antes de respondermos estas questões vou detalhar um pilar da empresa pública…

Quando comecei a ter contato com o setor público, por volta de de 2001, fui liderado por um gestor, pelo qual ainda tenho o maior respeito(não citarei nomes para evitar comentários políticos em minha publicação). Ele era um gestor do tipo NERD clássico, com seus óculos de armação vinda dos anos 80 e aparência tão nerd quanto a minha, estilo Rick Moranis.

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Eu havia acabado de sair da faculdade e tinha trabalhado em algumas empresas privadas, mas alí receberia uma lição para o resto de minha vida: “O LUCRO DE UMA EMPRESA PÚBLICA É O BEM ESTAR DO CIDADÃO”. Esta frase, que nunca esqueci, marcou aquele momento de minha vida no meu primeiro contado com o setor público, onde meu chefe NERD resolvera me dar aula antes de iniciarmos qualquer trabalho, pois minha primeira tarefa seria estudar um fragmento de livro sobre gestão pública, que infelizmente não guardei fisicamente. À princípio cheguei até a ficar chateado, mas logo descobri a importância que aquilo teria para mim e me dediquei a missão.

Na busca deste LUCRO, continuemos o raciocínio. Como planejar e ser eficiente?  Com gente eficiente, com uma Gestão com metodologia bem definida e, é claro, usando as ferramentas computacionais adequadas e sustentáveis para armazenar e tratar a informação…

GENTE EFICIENTE

Encontramos aqui boa parte sofrimento dos gestores públicos. Geralmente se deparam com funcionários desmotivados, mal remunerados, mal alocados,  subutilizados e que, na maioria das vezes, são sim muito eficientes, porém se colocados para fazer aquilo que lhes é adequado, prazeroso e lhe traga o reconhecimento que há muitos anos almeja.

Duas dicas para gestores: Saber delegar funções e colocar cada membro da equipe no lugar onde possa render mais, nem que esse seja fora da equipe.

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Montar uma equipe motivada e focada em um mesmo objetivo é essencial e nem sempre a remuneração e a coisa mais importante. O crescimento pessoal e o orgulho é, sem dúvidas o que há de estimulante para a equipe. Ter orgulho de dizer a amigos e familiares o que faz e em que projetos está engajado, não tem preço.

A dedicação e identificação com o projeto, muitas vezes são mais importantes que qualidades técnicas pré-existentes. Vale lembrar que qualidade técnica é um item que pode ser complementado durante um projeto, mas a recíproca nem sempre é verdadeira.

BOA METODOLOGIA DE GESTÃO

Para o setor público, gestão, significa a perfeita união entre técnica e política. Nem gestores somente técnicos e muito menos gestores meramente políticos. Conseguir balancear estas duas qualidades é o segredo do sucesso, pois conheço técnicos renomados e incontestáveis em suas áreas que foram um desastre em gestão do setor público, bem como(esse é o exemplo mais comum) políticos habilidosos em gestões catastróficas. Claro que nem tudo é regra e temos várias exceções.

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Vivemos em uma sociedade capitalista e democrática, cujo sistema político não é dos melhores, daí o exercício diário da política obriga os gestores públicos a conviver diariamente com pressões das mais diversas e faz com que tenham que ter jogo de cintura para que, além de desempenhar seu papel funcional com honestidade e eficiência, saibam também não causar “desconfortos político-administrativos” ao grupo do qual fazem parte, ou seja saberem dizer NÃO, mas de uma forma elegante.

Mas voltando a gestão pública… Gerir não é apenas comandar pessoas, é administrar de forma eficiente os recursos humanos e econômicos para atingir os objetivos esperados por quem realmente lhe concede o cargo: O Povo.

Os métodos utilizados, devem ter sempre foco no resultado, porém como estamos falando da coisa pública, dividido em 3 partes, ou seja, resultados de curto, de médio e de longo prazo. Um gestor público precisa apresentar resultados visíveis a todo momento, para que não ganhe, muitas vezes indevidamente, a fama de incompetente. Trabalhar de olho sempre no ciclo eleitoral, mas sem perder o foco nas metas e na eficácia dos resultados.

AS FERRAMENTAS COMPUTACIONAIS

Agora vamos falar daquilo que mais entendo: As Ferramentas Computacionais

O setor público é um dos mais atrasados em termos de modernização das atividades, tanto operacionais quanto gerenciais. Mas o que leva, além da falta de recursos, a esse baixo nível de automatização? A maioria dos gestores públicos começa pelo problema incorreto, pois quer iniciar pela ferramenta ou pelos computadores, onde a infraestrutura e as pessoas devem ser pensadas primeiro. Há locais onde sequer temos uma tomada para ligar um equipamento. É como comprar um carro onde não há estradas para trafegar.

Para as pessoas aceitarem bem qualquer ferramenta computacional, precisam ser convencidas e acreditar que aquilo irá mudar a sua vida para melhor. Para que isso aconteça, suas necessidades têm de ser ouvidas e atendidas na medida do possível. Claro que muitas das vezes elas não interpretam bem a mudança de cultura e tendem a nos solicitar o que chamo, em minhas palestras, de “INFORMATIZAÇÃO DO CAOS”, ou seja, automatizar tanto as rotinas certas quanto as erradas. Por isso devemos saber filtrar e com muito tato corrigir o que está errado antes de informatizar.

Vamos a um ponto crítico das ferramentas de gestão que enfatizam bem a diferença entre as iniciativas pública e Privada, que é a SUSTENTABILIDADE do projeto. Agora nos deparamos com a diferença entre os “LUCROS”. Ambas as áreas de aplicações de tecnologia precisam de investimento, mas enquanto a iniciativa privada lucra recursos que permitem a manutenção e melhorias de suas ferramentas tecnológicas; o setor público, à exceção das áreas de arrecadação, lucra a satisfação do cidadão que, embora bastante importante não permite a ampliação dos investimentos e muitas vezes sequer a manutenção dos existentes. Portanto, a implantação de ferramentas de gestão na área pública possui uma curva de retorno, porém com um limite no horizonte, pois durante o inicio da implantação, a otimização da rotinas de funcionamento traz economia para as mais diversas areas, produzindo os recursos necessários para um possível reinvestimento. Após essa fase inicial, o único retorno seria o bem estar do cidadão, que é essencial, mas insuficiente para ampliação de investimentos. Daí por diante as ferramentas tendem a entrar em colapso e acabam ficando obsoletas até o ponto que são substituidas por alguma nova política ou equipe de gestão, obrigando estado a um novo ciclo de investimento.

Como mudar este “CICLO DECADENTE”?

 O software aberto, com o repasse da tecnologia para o estado, atenuaria os custos de investimento futuros, pois permitiria ao menos tornar o custo de manutenção constante por uma equipe própria, desde que ela não seja exclusiva para uma ferramenta e agregue varias outras neste processo.

Muitos reclamam da estatização das políticas de tecnologia e não estou aqui vendendo esta idéia. O estímulo ao mercado se daria na reciclagem de pessoal e no desenvolvimento em novas áreas, desde que a curva de retorno não fosse atingida. Afinal o mercado só se interessa por um tipo de LUCRO que sabemos bem qual é.

Para que este post não fique muito longo farei de agora por diante algumas postagens sobre ferramentas de gestão livres e “Sustentáveis” voltadas para a área pública.

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